Antonio Coelho (DEM), líder da religião do governo na Assembleia Legislativa de Pernambuco - FOTO: ROBERTO SOARES / ALEPE

Após o governo de Pernambuco anunciar, na noite desta terça-feira (1 °), que aceitou o pedido de exoneração do comandante da Polícia Militar, Vanildo Maranhão, três dias após a manifestação contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), no Recife , que acabou com feridos em meio a uma ação violenta da Polícia Militar do Estado (PMPE). 

O líder da identificação na Assembleia Legislativa de Pernambuco (ALEPE), deputado Antônio Coelho (DEM), afirmou que o governo busca um "bode expiatório" para justificar a ação truculenta.

"A minha preocupação é que o Governo do Estado estaria buscando um bode expiatório. Existe em andamento uma grande evasão de responsabilidade pela parte do governador Paulo Câmara, e isso é algo que eu considero lamentável. Estão tentando transferir uma responsabilidade aos soldados que estavam lá no momento e, aparentemente, achou agora um bode expiatório, mas eu continuo frustrado com as respostas que obtivemos até agora ea responsabilidade pessoal do governador Paulo Câmara ", afirmou o parlamentar.

O deputado disse ainda que o compromisso do Estado deve ser com a verdade, antes de recobrar "uma apuração isenta dos fatos".

"Agora, como é que a gente vai ter isso se, logo em sequência, o governador recebe em seu gabinete uma vereadora que supostamente estaria bloqueando o trabalho da Polícia Militar e já demonstração para ela que vai investigar e punir os policiais envolvidos? Imagina o corregedor da Polícia Militar que está investigando se os policiais utilizaram uso excessivo da força ou a Polícia Civil, que vai investigar se teve depredação de patrimônio público, se eles (os manifestantes), de fato, atiraram pedras contra os policiais, se estava havendo o bloqueio de ruas. Imagina a pressão que vai existir sobre esses técnicos das forças de segurança para se ter os tipos de proteção que eles podem ter ou não ", rebateu o parlamentar sobre uma conduta de apuração do governo.

Segundo Antônio Coelho, "o governador Paulo Câmara Deveria ter se mantido equidistante entre os manifestantes e os policiais, mas eu acho que ele falhou gravemente no seu dever como governador e cedeu à pressões ideológicas e partidárias".

O deputado estadual Waldemar Borges (PSB), ex-líder do Governo Eduardo Campos, do Governo João Lyra Neto e do Governo Paulo Câmara, também comentou sobre a exoneração do comandante. "Eu espero que ao fim tudo fique bemecido, se houve ordem para se cometer aquelas violentas absurdas, se houve quem deu, e que haja punição para que hipóteses como essas não se repitam jamais. Nós esperamos a continuidade das apurações para que todo o lamentável, inaceitável episódio seja perfeitamente esclarecido ", destacou.

Já o deputado estadual João Paulo (PCdoB) disse que a situação do comandante da PM era "insustentável". Ele não tinha mais como se sustentar no comando da Polícia Militar. A repercussão do ocorrido aqui foi internacional, extrapolou os limites do Brasil ", ressaltou.

"Havia necessidade de uma revisão dos procedimentos da PM em relação ao processo de tratar a população, principalmente os mais carentes, essas ações que foram em frente ao Hospital da Restauração contra os enfermeiros, o processo de desocupação de Itaparica, e consagrado esse processo de violência nessa última ação em Recife, que aí atendeu uma população mais de classe média, advogados, vereadores, e pelo excesso de violência, levou uma situação insustentável para ele. na Alepe ", pontuou.

Na opinião do deputado, caso o comandante não pedisse para ser destituído do cargo, o governador Paulo Câmara teria que exonerá-lo.

Além da exoneração do comandante geral da PM, sete policiais militares foram afastados das atividades, de acordo com a gestão estadual.

Uma reportagem tentou entrar em contato com o líder do governo da Assembleia Legislativa de Pernambuco, deputado Isaltino Nascimento (PSB), mas não obteve retorno.

Governador afirma que ação "não condiz com as tradições e valores da PM"

Após o anúncio da exoneração, o governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), se pronunciou. O gestor afirmou que, após "analisar incessantemente imagens, relatos e vídeos de todo o ocorrido na manifestação" conversou com o secretário de Defesa Civil, Antônio de Pádua, e o comandante Vanildo Maranhão. De acordo com Paulo Câmara, uma ação "não condiz com as tradições e valores da Polícia Militar de Pernambuco, uma instituição quase bicentenária e de tantos serviços prestados à nossa população".

"A investigação em torno do caso continua. Hoje afastamos mais dois oficiais, além dos cinco afastados ainda no sábado. Vamos acompanhar a apuração de perto até sua conclusão", disse.

No pronunciamento, Paulo Câmara também agradeceu ao coronel "pelos anos de dedicação ao Pacto pela Vida e ao nosso governo". O novo comandante será o coronel José Roberto Santana. A nomeação será feita nesta quarta-feira (2).

A Chefia da Polícia Civil de Pernambuco projetou, nessa segunda-feira (31), dois delegados para investigarem os inquéritos instaurados com relação às agressões obtidas contra manifestantes durante o protesto que ocorreu no último sábado. Além disso, a Corregedoria da Secretaria de Defesa Social conduz um procedimento administrativo contra os policiais encarregados.

DIEGO NIGRO / ACERVO JC IMAGEM
Vanildo Maranhão, comandante geral da PM. - FOTO: DIEGO NIGRO / ACERVO JC IMAGEM

 JC

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