O cenário de abandono em áreas centrais do Recife voltou a acender o alerta sobre segurança urbana e preservação do patrimônio. Dados divulgados em reportagem publicada nesta terça-feira mostram que, ao longo de 2025, a Defesa Civil identificou 136 imóveis no Centro da capital com risco estrutural alto ou muito alto, sendo 102 classificados como alto e 34 como muito alto. Os registros se concentram em bairros como Recife, São José, Boa Vista e Santo Antônio.
A situação atinge vias de grande circulação e importância histórica, como as avenidas Marquês de Olinda e Dantas Barreto, além de ruas tradicionais como Bom Jesus, da Moeda, Imperial e do Apolo. O quadro revela não apenas o desgaste provocado pelo tempo, mas também a falta de manutenção e de políticas contínuas de recuperação urbana em uma das regiões mais simbólicas da cidade.
Segundo a reportagem, especialistas alertam que imóveis degradados podem representar ameaça real à população, seja pelo risco de desprendimento de estruturas, seja por problemas associados, como infiltrações, falhas elétricas e outros danos que comprometem a segurança de quem circula pelo entorno. A própria Prefeitura do Recife informou que a classificação de risco não significa, obrigatoriamente, desabamento iminente, mas exige atenção técnica e medidas preventivas.
A responsabilidade pela conservação dos imóveis é dos proprietários, enquanto a fiscalização e as providências emergenciais cabem ao poder público, especialmente por meio da Defesa Civil. Em casos de perigo, a população pode acionar o serviço municipal pelo telefone 0800-081-3400, com atendimento gratuito durante 24 horas.
Um dos exemplos mais conhecidos desse problema é o Edifício 13 de Maio, localizado na Rua da União. Abandonado há mais de 60 anos, o prédio voltou ao centro das discussões após novos episódios de queda de partes da estrutura. A demolição do imóvel, autorizada judicialmente anteriormente, começou neste ano e tem conclusão prevista para outubro de 2026.
O avanço da degradação no Centro reacende o debate sobre como conciliar preservação histórica, segurança e revitalização urbana. Em uma área marcada por imóveis tombados e grande valor arquitetônico, cresce a pressão para que o poder público e os proprietários encontrem soluções que devolvam vitalidade à região e reduzam os riscos para moradores, comerciantes e pedestres.

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