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| Simone Maria de Oliveira e Fabiano Lourenço de Araújo, vítimas de desabamento no Pilar - Reprodução |
O desabamento de um imóvel na comunidade do Pilar, no Bairro do Recife, na noite da última segunda-feira (6), deixou dois mortos e dois feridos, reacendendo o alerta sobre as condições precárias de moradia em áreas vulneráveis da capital pernambucana.
As vítimas fatais foram Simone Maria de Oliveira, de 56 anos, e Fabiano Lourenço de Araújo, de 45. Segundo moradores, o casal era bastante conhecido na região e vivia há anos em situação de vulnerabilidade.
“Eles eram pessoas muito queridas, sempre ajudavam quem precisasse. Todo mundo conhecia”, relatou a moradora Brenda Gomes.
Feridos seguem hospitalizados
Outras duas pessoas ficaram feridas após o desabamento: Ana Carolina da Costa Silva, de 31 anos, e Sidclei de Oliveira, de 29. Eles foram socorridos e encaminhados ao Hospital da Restauração.
De acordo com a unidade, ambos sofreram múltiplos traumas, mas apresentam quadro estável.
O atendimento contou com equipes do Samu e do Corpo de Bombeiros. A área foi isolada pela Defesa Civil, que segue monitorando o local.
Medo impede moradores de deixarem área de risco
Mesmo após a tragédia, parte das famílias decidiu permanecer na região, apesar do risco de novos desabamentos.
Segundo lideranças comunitárias, a decisão está ligada à insegurança quanto ao futuro e à falta de garantias por parte do poder público.
“Tem gente que não quer sair por medo de perder tudo ou não ter uma solução definitiva depois”, afirmou a liderança Ana Cláudia.
Atualmente, cerca de 17 famílias seguem vivendo próximas ao local do desabamento.
Comunidade vive luto e revolta
Na manhã seguinte ao ocorrido, o clima na comunidade era de tristeza e indignação. Simone e Fabiano viviam juntos há cerca de 20 anos. Ela era mãe de oito filhos e avó; ele trabalhava de forma informal na região.
De acordo com moradores, o casal já aguardava a entrega de uma moradia definitiva, mas ainda permanecia no imóvel que desabou.
“O sentimento aqui é de dor, mas também de revolta”, disse Ana Cláudia.
Promessas antigas e soluções incompletas
A comunidade do Pilar convive há anos com problemas habitacionais. Projetos de urbanização e construção de moradias vêm sendo discutidos desde 2009, mas ainda não foram totalmente executados.
Recentemente, a Prefeitura do Recife publicou um novo edital para a construção de unidades habitacionais. No entanto, o número previsto é menor do que o planejado originalmente.
Parte das famílias já foi beneficiada em entregas recentes, mas muitos moradores seguem aguardando uma solução definitiva.
Imóvel já apresentava risco estrutural
Segundo representantes da comunidade, havia um laudo técnico indicando risco no imóvel que desabou. Apesar disso, moradores alegam que não receberam suporte adequado para deixar o local com segurança.
Após o acidente, equipes da prefeitura foram mobilizadas para prestar assistência, incluindo isolamento da área e apoio às famílias atingidas.
Moradores cobram respostas
Diante da tragédia, moradores organizaram um protesto na manhã desta terça-feira (7), no Bairro do Recife, cobrando ações concretas das autoridades.
A comunidade agora busca diálogo com o poder público e exige medidas urgentes para evitar novas tragédias.
“O povo quer sair daqui, mas quer sair com dignidade e garantia de um lugar seguro”, resumiu uma das lideranças.

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