A recente mudança no comando da Arena de Pernambuco acendeu alertas sobre a perpetuação de dinastias políticas e familiares em cargos estratégicos do Estado. Lohaine Collins assumiu a direção do equipamento após a saída de sua própria mãe, Michele Collins, ex-vereadora do Recife, que deixou a função para disputar uma vaga na Câmara Federal nas eleições de 2026.
A nomeação de Lohaine, publicada no Diário Oficial do Estado em 12 de maio e com efeito retroativo a 1º de maio, ocorre em um contexto que levanta dúvidas sobre critérios de escolha. Filha de Michele Collins e do deputado estadual Cleiton Collins, Lohaine já vinha participando de agendas institucionais antes mesmo de oficializada, o que reforça a percepção de que a nomeação pode ter sido influenciada por laços familiares, mais do que por mérito técnico.
Embora Lohaine seja formada em Administração de Empresas e tenha pós-graduação em Gestão Pública, seu histórico público inclui passagens por órgãos como a Prefeitura do Cabo de Santo Agostinho, LAFEPE e Prefeitura de Olinda. Ainda assim, críticos questionam se uma experiência de cerca de dez anos em funções executivas menores é suficiente para comandar um dos principais estádios do país, que será palco da Copa do Mundo Feminina de 2027.
O episódio também levanta preocupações sobre a concentração de poder familiar na política pernambucana: além de Michele e Lohaine, o irmão Alef Collins é vereador do Recife. A transição, realizada com grande proximidade entre mãe e filha, reforça a percepção de que cargos públicos estratégicos estão sendo tratados como extensão de interesses familiares, mais do que como posições que exigem experiência técnica comprovada.
A gestão da Arena de Pernambuco agora se coloca sob os olhos atentos da sociedade, que observa se a nova direção conseguirá traduzir a promessa de “experiência na gestão pública” em resultados efetivos, ou se seguirá como exemplo de políticas públicas permeadas por laços familiares.

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