Donald Trump determinou alta de tarifas para produtos brasileiros | Foto: Reprodução/Instagram Donald Trump

 

O chefe do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer, informou a representantes do governo Lula que já encaminhou ao presidente Donald Trump a recomendação final para um novo tarifaço sobre produtos brasileiros. Durante reunião virtual realizada na terça-feira 14, ele declarou encerradas as negociações.

Greer criticou o que classificou como falta de empenho do Brasil e indicou que a lista de produtos isentos poderá ser ampliada. Conforme publicado pela emissora CNN, ele também afirmou que o processo de negociação chegou ao fim e responsabilizou o governo brasileiro pela ausência de avanços.

A avaliação foi contestada de imediato pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, e pelos embaixadores Maurício Lyrio, um dos principais negociadores do Itamaraty, e Audo Faleiro, assessor internacional da Presidência da República.

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Palácio do Itamaraty, sede do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, em Brasília | Foto: Reprodução/ Redes sociais

Os representantes brasileiros argumentaram que os Estados Unidos não apresentaram fundamentos técnicos suficientes para sustentar a investigação conduzida com base na Seção 301. Também rebateram acusações relacionadas ao aumento do desmatamento, afirmando que os indicadores referentes à Amazônia mostram cenário diferente.

Durante o encontro, as autoridades brasileiras recordaram que propuseram reduzir as tarifas de importação sobre o etanol em troca de maior acesso do açúcar brasileiro ao mercado norte-americano. Conforme os relatos, a sugestão foi descartada pelo USTR, que não demonstrou disposição para discutir a possibilidade.

Greer também afirmou, segundo duas fontes ouvidas pela CNN, que não haverá uma “lista dinâmica” de exceções às novas tarifas. A sinalização foi interpretada pelo governo brasileiro como a confirmação de que, diferentemente das alíquotas implementadas em 2025, não serão feitas ampliações graduais da relação de produtos isentos.

Mesmo assim, o representante comercial norte-americano declarou que havia “tomado nota” dos argumentos apresentados pelo setor privado e pelo governo brasileiro em defesa de uma ampliação das exceções já no anúncio do pacote tarifário.

O presidente dos EUA, Donald Trump, acompanhado pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, pelo secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, e pelo representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, reúne-se com o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, acompanhado pelo ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, e outras autoridades, à margem da 47ª Cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), em Kuala Lumpur, Malásia (26/10/2025) | Foto: Reuters/Evelyn Hockstein

Na reunião, integrantes do governo Lula destacaram que parte relevante do comércio bilateral envolve subsidiárias de empresas norte-americanas instaladas no Brasil, responsáveis por exportar peças e componentes produzidos no país para suas matrizes nos Estados Unidos.

A avaliação, segundo integrantes do governo, foi bem recebida pelo USTR e alimentou a expectativa de que mais produtos industrializados sejam excluídos da taxação.

“Tarifaço” pode atingir 21% das exportações do Brasil para os EUA

Pelos cálculos do governo brasileiro, o tarifaço, nos moldes discutidos até agora, atingiria cerca de 21% das exportações nacionais para os Estados Unidos, considerando o valor embarcado. Integrantes da equipe econômica acreditam que uma ampliação das exceções poderá reduzir esse impacto.

No encerramento da videoconferência, Greer indicou disposição para manter aberto o canal de diálogo entre os dois governos. Antes do fim da reunião, ouviu das autoridades brasileiras a seguinte mensagem: “Nós estamos aqui”.

Revista Oeste

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