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| Cinco familiares do vigilante Alex da Silva Barbosa, apontado como o responsável pela morte de dois PMs, foram assassinados na chacina de Camaragibe - REPRODUÇÃO |
Novas mensagens extraídas de celulares apreendidos por ordem judicial reforçam as investigações do Ministério Público de Pernambuco (MPPE) sobre a chamada Chacina de Camaragibe, ocorrida após a morte de dois policiais militares em setembro de 2023. Segundo o órgão, os diálogos apontam que a intenção de parte dos envolvidos era promover uma vingança contra o vigilante Alex da Silva Barbosa e seus familiares.
De acordo com a denúncia, uma das mensagens enviadas poucas horas após a morte dos policiais afirmava: "Tem que matar a família dele". Em outro trecho da conversa, um integrante do grupo informou: "Mataram a irmã e o irmão do maloqueiro".
As mensagens fazem parte de conversas em um grupo de WhatsApp formado por policiais militares e, segundo o MPPE, ajudaram a identificar os envolvidos na sequência de homicídios, classificada pelo órgão como uma "operação vingança".
MPPE aponta comando da ação
A denúncia afirma que Fábio Roberto Rufino da Silva, então comandante do 20º Batalhão da PM, e Marcos Túlio Gonçalves Martins Pacheco, segundo no comando da inteligência da unidade, lideraram a perseguição ao vigilante e acompanharam as execuções dos familiares em tempo real. Ambos negam as acusações.
Segundo o Ministério Público, após uma reunião entre policiais, equipes seguiram até as casas da esposa e da mãe de Alex.
A esposa, Maria Nathália Campelo do Nascimento, teria sido retirada da residência à força, enquanto a mãe, Maria José Pereira da Silva, foi levada após a invasão do imóvel.
As investigações apontam que as duas foram conduzidas até uma área de canavial, na PE-027, em Paudalho, onde teriam sido executadas com disparos à queima-roupa. Os corpos foram encontrados na manhã seguinte.
Execução transmitida ao vivo
Antes da morte dos irmãos de Alex — Ágata Ayanne da Silva, Amerson Juliano da Silva e Apuynã Lucas da Silva —, Ágata chegou a iniciar uma transmissão ao vivo pelo Instagram no momento em que homens encapuzados chegaram ao local. A gravação, no entanto, não impediu a ação criminosa.
Outro diálogo já revelado anteriormente mostra policiais comemorando os assassinatos.
"Eu tô feliz, pô... mexeu com a gente, a gente tem que ir, matar pai, mãe, família, quem tiver..."
Policiais denunciados
No início de julho deste ano, o MPPE denunciou oito policiais militares pelas mortes da mãe e da esposa de Alex. São eles:
Romoaldo de Oliveira Guerra;
Moisés Delfino de Souza;
Thiago Dizeu de Souza;
Geraldo Nascimento de Souza;
Rodrigo Augusto Venâncio;
Thiago Firmino Tavares;
Fábio Roberto Rufino da Silva;
Marcos Túlio Gonçalves Martins Pacheco.
Além da denúncia, o Ministério Público pediu a prisão preventiva dos acusados.
O processo foi transferido da Comarca de Camaragibe para a Vara Criminal de Paudalho, cidade onde, segundo as investigações, ocorreram as execuções.
Já em relação às mortes dos três irmãos de Alex, 12 policiais militares respondem à Justiça por triplo homicídio duplamente qualificado, e o caso segue na fase de instrução.
Relembre o caso
A sequência de crimes começou na noite de 14 de setembro de 2023, quando o soldado Eduardo Roque Barbosa de Santana e o cabo Rodolfo José da Silva foram mortos durante uma ocorrência no bairro de Tabatinga, em Camaragibe. O autor dos disparos foi o vigilante Alex da Silva Barbosa.
Na ação, a vizinha Ana Letícia Carias, que estava grávida, também foi atingida por uma bala perdida. Ela morreu semanas depois, mas o bebê sobreviveu.
Na manhã do dia seguinte, Alex foi morto em uma troca de tiros com policiais militares. A investigação concluiu que houve legítima defesa por parte dos agentes nesse confronto, e o procedimento foi arquivado.
Paralelamente, os policiais denunciados também são alvo de investigação administrativa pela Corregedoria da Secretaria de Defesa Social (SDS), que poderá resultar na expulsão dos envolvidos da corporação. Ainda não há prazo para a conclusão desse processo.


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