Polícia Civil de Pernambuco deflagra operação "Sangria" - Divulgação/PCPE

 

A Polícia Civil de Pernambuco deflagrou, na manhã desta terça-feira (25), duas operações simultâneas para investigar suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, desvio de recursos públicos e outros crimes no estado.

Batizadas de Operação Sangria e Operação Controle Paralelo, as ações cumprem, ao todo, seis mandados de prisão e 22 mandados de busca e apreensão, além de ordens judiciais para bloqueio de ativos financeiros e sequestro de bens.

As investigações são realizadas em duas frentes distintas. Uma delas apura possíveis irregularidades na prestação de serviços de saúde no município de Condado, na Zona da Mata Norte de Pernambuco. A outra investiga um suposto esquema de corrupção dentro do sistema prisional pernambucano.

Operação Sangria investiga contratos na área da saúde

A Operação Sangria apura suspeitas relacionadas a um Termo de Cooperação firmado entre a Prefeitura de Condado e o Instituto Reviver Brasil (IRB) para a prestação de serviços de saúde.

Segundo a Polícia Civil, entre 2022 e 2024 foram identificados repasses de recursos públicos ao instituto sem comprovação correspondente da prestação dos serviços.

A investigação também encontrou indícios de movimentações financeiras consideradas atípicas e suspeitas de lavagem de dinheiro. A polícia aponta ainda que parte dos recursos e da estrutura da organização teria sido utilizada para promover agentes públicos.

Nesta terça-feira, foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão domiciliar, além de ordens para bloqueio de ativos financeiros.

Entre os crimes investigados estão peculato, corrupção passiva e lavagem de capitais.

Operação Controle Paralelo mira sistema prisional

A segunda ação, denominada Operação Controle Paralelo, investiga desde outubro de 2022 uma organização suspeita de praticar corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro dentro do sistema prisional de Pernambuco.

De acordo com a Polícia Civil, o grupo teria criado um esquema no qual detentos recebiam benefícios indevidos para controlar e administrar pavilhões das unidades prisionais, função conhecida como “chaveiro”.

Em troca, segundo as investigações, seriam realizados pagamentos por meio de outras pessoas. A polícia também identificou movimentações financeiras destinadas às contas de familiares de presos.

A investigação aponta ainda possível participação de outros policiais penais e suspeitas de extorsão contra detentos e familiares e tráfico de drogas.

Segundo a Polícia Civil, a lavagem de dinheiro teria ocorrido, em tese, por meio da criação e utilização de empresas ligadas aos setores de carcinicultura e comercialização de pescados.

Ao todo, 28 ordens judiciais são cumpridas

Na Operação Controle Paralelo, são cumpridos seis mandados de prisão e 14 mandados de busca e apreensão domiciliar, além de ordens de sequestro de bens e bloqueio de ativos financeiros.

Somadas as duas operações, a Polícia Civil cumpre 28 ordens judiciais, além das medidas patrimoniais determinadas pela Justiça.

As investigações continuam para identificar todos os envolvidos e esclarecer a extensão dos possíveis esquemas. A Polícia Civil informou que outros detalhes das operações deverão ser divulgados posteriormente. 



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