O deputado estadual Joel da Harpa (PP) pode enfrentar um novo desafio político nas eleições de 2026: a possibilidade de perder parte do apoio entre eleitores identificados com o bolsonarismo em Pernambuco após o surgimento de informações relacionadas a um suposto esquema de “rachadinha” em seu gabinete.
O caso ganhou repercussão após reportagens do Diario de Pernambuco revelarem que Joel da Harpa celebrou um Acordo de Não Persecução Civil (ANPC) com o Ministério Público de Pernambuco (MPPE). Pelo acordo, homologado pela Justiça, o parlamentar deverá pagar R$ 200.504,59 aos cofres públicos, em 60 parcelas.
Segundo a investigação mencionada pelo Diario, o caso envolve a suspeita de retenção de parte dos salários de três servidores comissionados do gabinete, entre 2015 e 2017. A apuração apontou que os valores teriam sido utilizados para o pagamento de dívidas relacionadas à campanha eleitoral.
O MPPE calculou um suposto dano ao erário de aproximadamente R$ 394,4 mil. A decisão judicial registra ainda que o ressarcimento dos danos materiais estaria sendo tratado na esfera criminal por meio de outro acordo, e que havia comprovantes indicando o pagamento regular das parcelas previstas.
Pressão sobre o eleitorado bolsonarista
O episódio pode ter um peso político especialmente relevante para Joel da Harpa por causa do perfil de parte de seu eleitorado.
Entre os eleitores mais alinhados ao ex-presidente Jair Bolsonaro, denúncias e suspeitas envolvendo o uso de dinheiro público costumam provocar forte reação. Nesse cenário, a repercussão do caso pode abrir espaço para que outros candidatos disputem o eleitorado conservador que anteriormente poderia considerar votar em Joel.
A questão ganha ainda mais importância em uma eleição na qual cada voto poderá ser decisivo para a composição da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe).
Não é possível afirmar, neste momento, quantos eleitores deixarão de votar em Joel da Harpa por causa do caso. No entanto, a repercussão negativa pode representar um desgaste político para o parlamentar justamente em um segmento do eleitorado no qual a cobrança por transparência e combate a práticas consideradas inadequadas é elevada.
Joel contesta acusações
Após a repercussão do caso, a assessoria jurídica da campanha de reeleição de Joel da Harpa classificou as acusações e reportagens como “ilações descabidas” e afirmou que o deputado seria alvo de ataques políticos em razão do período eleitoral.
A defesa também sustentou que adversários estariam tentando atingir a imagem do parlamentar e afirmou que Joel possui uma trajetória marcada por trabalho e compromisso com a população.
O acordo firmado com o MPPE, portanto, não deve ser apresentado como uma condenação criminal definitiva pelo crime de “rachadinha”. O caso envolve acordos nas esferas cível e criminal e alegações que foram objeto de investigação.
Politicamente, porém, a repercussão já coloca Joel da Harpa diante de uma questão que pode ser determinante nas urnas: até que ponto o eleitor bolsonarista pernambucano continuará disposto a apoiar o deputado após as revelações envolvendo seu antigo gabinete?
A resposta deverá aparecer nas pesquisas e, principalmente, nas urnas em outubro.


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