Gisele e Daniel na hora do parto — Foto: Divulgação/Governo da Paraíba

 


Na tarde de uma quinta-feira, 18 de junho, o silêncio de uma sala de parto no Hospital da Mulher, em João Pessoa, foi interrompido pelo choro que marcou um momento decisivo: o nascimento de Iara, filha de Daniel Valentim e Gisele Castro.

O casal, que se conheceu há cerca de quatro anos pela internet, vive agora uma nova fase com a chegada da primeira filha. O projeto de formar uma família começou a ser planejado em 2022, quando decidiram tentar a gestação pela primeira vez. O caminho, no entanto, não foi simples.

Gisele é uma mulher trans, enquanto Daniel é um homem trans. Ambos estavam em processo de hormonização, tratamento utilizado para alinhar o corpo à identidade de gênero. Durante a gestação, Daniel enfrentou ainda um diagnóstico de trombose, o que tornou a gravidez de alto risco e exigiu acompanhamento médico constante.

Apesar das dificuldades, o acompanhamento pré-natal realizado na rede pública de saúde, iniciado em Campina Grande, no Agreste da Paraíba, foi essencial para que a gestação chegasse a um desfecho positivo.

O nascimento de Iara também marcou um registro inédito na rede estadual de saúde: Daniel é apontado como o primeiro homem trans a dar à luz na Paraíba em um hospital público.

Mesmo com o acesso garantido aos serviços de saúde, o casal relata que ainda enfrentou situações de preconceito institucional ao longo do processo, algo que, segundo eles, reflete desafios vividos por pessoas trans no sistema de saúde brasileiro.

Agora, com a filha nos braços, o casal afirma que o principal desejo é proporcionar a Iara uma criação baseada no respeito e na aceitação das diferenças, em um ambiente onde a identidade de pessoas trans seja reconhecida e respeitada como parte da diversidade social.

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