Fachada do Banco Master na rua Elvira Ferraz em Itaim Bibi | Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

 

O Banco Master contratou o escritório Barci de Moraes, da família do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para elaborar um parecer sobre a captação de recursos de Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS).

Segundo o portal Metrópoles, documento de julho de 2024 concluiu que a instituição estava apta a receber investimentos desses fundos previdenciários, embora tenha alertado para riscos de corrupção e conflitos de interesses nas operações.

Alexandre de Moraes em sessão plenária do STF (21/05/2026) | Foto: Gustavo Moreno/STF
Alexandre de Moraes, em sessão plenária do STF — 21/5/2026 | Foto: Gustavo Moreno/STF

A consulta partiu do então superintendente de compliance do Master, Fabio de Souza Castanheira. Naquele momento, o banco enfrentava questionamentos no mercado e buscava ampliar a captação de recursos por meio dos RPPS.

Parecer antecedeu investigações da PF

O documento foi assinado por três advogados do escritório Barci de Moraes, entre eles uma filha e uma cunhada do ministro do STF.

Na época, o Master já havia obtido credenciamento para captar recursos do Rioprevidência e dos fundos previdenciários de Cajamar (SP) e Maceió (AL). A instituição também mantinha negociações com os municípios de Campo Grande (MS), Paulista (SP) e Osasco (SP).

Meses antes, a Caixa Econômica Federal recusou a compra de R$ 500 milhões em letras financeiras do Master, ao identificar papéis considerados atípicos e de alto risco.

Nos meses seguintes, a Polícia Federal deflagrou pelo menos quatro operações para investigar aplicações de recursos de RPPS em letras financeiras e fundos ligados ao Master. A principal apuração envolve aportes de R$ 3,6 bilhões do Rioprevidência. Nesse inquérito, agentes cumpriram mandados de busca e apreensão em endereços do ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL).

Segundo o Ministério Público Federal, os recursos captados por meio dos fundos previdenciários ajudaram a sustentar o Master depois da negativa da Caixa.

O escritório Barci de Moraes também prestou outros serviços ao banco. O contrato firmado em fevereiro de 2024 previa pagamentos de R$ 129 milhões. Informações declaradas pela própria instituição mostram que o Master desembolsou R$ 80,2 milhões em 22 parcelas mensais de R$ 3,6 milhões, de fevereiro de 2024 a novembro de 2025, período anterior à intervenção do Banco Central.

Oeste

Comentários

Postagem Anterior Próxima Postagem