O Portal de Prefeitura passou a ser citado no centro de uma investigação que ganhou repercussão nacional após reportagem exibida pela TV Record apontar a existência de uma suposta estrutura de perfis e páginas utilizada para ataques políticos em Pernambuco.
Segundo a reportagem, a Polícia Federal investiga uma empresa suspeita de disseminar notícias falsas na internet e que teria recebido recursos públicos por meio de contratos de publicidade com o Governo de Pernambuco. A rede investigada seria formada por centenas de perfis que atuariam de maneira coordenada, principalmente contra o candidato ao Governo de Pernambuco João Campos (PSB).
O caso provocou forte reação no cenário político pernambucano e levou João Campos a acusar o governo da governadora Raquel Lyra (PSD) de supostamente manter uma estrutura de ataques nas redes sociais. O candidato afirmou que pretende adotar medidas jurídicas e acionar órgãos de controle para apurar as denúncias.
Portal de Prefeitura nega envolvimento em ataques
O Portal de Prefeitura, citado nas reportagens, negou participação em qualquer suposto “gabinete do ódio” ou estrutura destinada a atacar adversários políticos.
Segundo posicionamento divulgado pelo veículo, a empresa afirma que seu compromisso é com a informação e que os contratos de publicidade recebidos de órgãos públicos seguem procedimentos legais, com documentação, critérios de audiência e comprovação das divulgações.
O portal também esclareceu que Amisadai Andrade da Silva, personagem citado na reportagem, não faz mais parte do quadro societário da empresa desde 2024 e não representa atualmente o veículo.
Esse ponto é importante porque a existência de contratos de publicidade com o poder público, por si só, não comprova que recursos tenham sido utilizados para financiar ataques políticos ou disseminar notícias falsas. Essa eventual relação é justamente um dos pontos que precisam ser esclarecidos pelas investigações.
Servidor citado na reportagem é exonerado
Um dos nomes apresentados na reportagem da Record foi Amisadai Andrade da Silva, servidor da Caixa Econômica Federal que estava cedido ao Governo de Pernambuco e atuava na Secretaria de Turismo.
De acordo com as informações divulgadas, ele teria sido relacionado à administração de páginas e perfis utilizados para produzir conteúdos contra João Campos.
Nesta quarta-feira (26), um dia após a exibição da reportagem, o Governo de Pernambuco publicou a exoneração de Amisadai do cargo de Superintendente de Operações da Arena de Pernambuco, vinculado à Secretaria de Turismo e Lazer.
A exoneração, entretanto, não significa que as acusações apresentadas na reportagem estejam comprovadas. A investigação deverá apontar se houve irregularidades e qual seria, de fato, a participação de cada pessoa ou empresa citada.
João Campos acusa governo de coordenar “milícia digital”
Após a reportagem, João Campos publicou um vídeo nas redes sociais e afirmou que as informações apresentadas reforçariam denúncias que ele vinha fazendo há mais de um ano.
O candidato classificou como grave a possibilidade de uma estrutura ligada ao poder público ser utilizada para ataques políticos e afirmou que sua equipe jurídica tomará providências.
A acusação, porém, é contestada pela governadora Raquel Lyra.
Raquel Lyra nega acusações
Raquel Lyra negou a existência de um suposto “gabinete do ódio” dentro do governo e afirmou que não conduz sua atuação política dessa maneira.
A governadora também disse que adotará as medidas cabíveis diante do que classificou como informações falsas e afirmou que pretende fazer uma campanha “limpa” e “transparente”.
O Governo de Pernambuco também informou que a publicidade institucional é executada por agências contratadas por meio de licitação e que a distribuição dos recursos segue critérios técnicos.
Segundo o governo, os valores destinados em 2026 ao veículo citado representam cerca de 0,3% do investimento permitido ao Estado em publicidade no período, distribuído entre dezenas de veículos.
Investigação deverá esclarecer responsabilidades
O caso agora está sob atenção das autoridades e ganhou ainda mais importância por ocorrer durante a disputa eleitoral pelo Governo de Pernambuco.
As acusações apresentadas nas reportagens, as manifestações de João Campos, as negativas do Portal de Prefeitura e a resposta do Governo de Pernambuco ainda precisam ser confrontadas com os elementos da investigação.
Até que as autoridades concluam as apurações, não é possível afirmar como fato que o Portal de Prefeitura tenha participado de uma estrutura de ataques políticos ou que recursos públicos tenham sido desviados para essa finalidade.
O que existe, neste momento, é uma investigação da Polícia Federal, denúncias apresentadas publicamente e versões conflitantes entre os envolvidos. O avanço das apurações deverá esclarecer se houve irregularidades, quem teria participado de eventual esquema e se houve utilização indevida de recursos públicos.

Postar um comentário