William Bonner Foto: divulgação/TV Globo

 

A discussão sobre a possível retomada da exigência de diploma específico em Jornalismo para o exercício da profissão ganhou um novo elemento: William Bonner, um dos jornalistas mais conhecidos do país, não possui graduação em Jornalismo.

Bonner é formado em Comunicação Social, com habilitação em Publicidade e Propaganda, pela Universidade de São Paulo (USP). A informação foi confirmada pela imprensa ao relembrar a trajetória profissional do apresentador.

Mesmo sem formação específica em Jornalismo, Bonner construiu uma carreira de décadas na televisão brasileira. Ele comandou o Jornal Nacional por 29 anos, período em que também exerceu a função de editor-chefe do telejornal. Em 2026, passou a apresentar o Globo Repórter.

Diploma volta ao centro do debate no STF

A formação de Bonner ganhou relevância justamente no momento em que os ministros Flávio Dino e Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), passaram a defender uma nova discussão sobre a exigência de diploma para jornalistas.

Em 2009, o próprio STF decidiu derrubar a obrigatoriedade do diploma específico de Jornalismo para o exercício da profissão. Agora, Dino e Moraes levantaram a possibilidade de revisar esse entendimento.

Moraes chegou a mencionar a possibilidade de estabelecer um regime de transição para profissionais que já exercem o Jornalismo sem diploma, caso a Corte venha a modificar novamente as regras.

Caso de Bonner expõe uma contradição?

A discussão levanta uma pergunta inevitável: se a exigência de diploma específico voltar, profissionais que construíram carreira no Jornalismo sem essa formação seriam afetados?

William Bonner é um exemplo de grande repercussão. Embora não tenha graduação em Jornalismo, sua trajetória inclui décadas de atuação em televisão e funções de grande responsabilidade editorial.

O caso também mostra que ter formação superior na área de Comunicação não é a mesma coisa que possuir diploma específico de Jornalismo. Bonner estudou Comunicação Social com habilitação em Publicidade e Propaganda, e não Jornalismo.

Debate acontece após caso envolvendo Luís Pablo

A discussão sobre a retomada do diploma ocorre em um contexto que também envolve o jornalista maranhense Luís Pablo, que não concluiu a graduação em Jornalismo e possui registro profissional junto ao Ministério do Trabalho desde 2015.

Luís Pablo publicou reportagens sobre o suposto uso irregular de veículos do Tribunal de Justiça do Maranhão por Flávio Dino e posteriormente foi alvo de uma operação autorizada por Alexandre de Moraes. O episódio provocou reação de entidades ligadas à imprensa.

A proximidade entre os acontecimentos provocou questionamentos sobre o momento escolhido para retomar o debate. A Associação Nacional de Jornais (ANJ) classificou como estranha a reabertura do tema nesse contexto, enquanto outras entidades também manifestaram preocupação com o sigilo da fonte e a liberdade de imprensa.

Por outro lado, a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) defende a retomada da exigência de formação específica como forma de fortalecer o jornalismo profissional.

Diploma significa ser um jornalista melhor?

O caso de William Bonner também ajuda a mostrar que o debate não é tão simples quanto estabelecer uma divisão entre “diplomados” e “não diplomados”.

A formação universitária pode contribuir para a preparação técnica, ética e profissional de quem trabalha com informação. Entretanto, a carreira de profissionais que chegaram ao jornalismo por outras formações mostra que o exercício da atividade também envolve experiência, prática e responsabilidade profissional.

A discussão no STF, portanto, pode ter consequências para milhares de profissionais que trabalham atualmente em rádios, jornais, televisão, sites, blogs e veículos digitais sem diploma específico de Jornalismo.

Enquanto o debate avança, uma coisa permanece: William Bonner é mais um dos grandes nomes da comunicação brasileira que construíram carreira jornalística sem possuir diploma específico na área.





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