Jailton Jr./jc Imagem

 

A Prefeitura do Recife desativou a Faixa Azul destinada ao transporte coletivo na Avenida Jean-Emile Favre, no bairro do Ipsep, na Zona Sul da capital. O equipamento havia sido implantado como parte do projeto de requalificação viária da região e passou a operar por pouco mais de um ano.

A mudança foi realizada pela Autarquia de Trânsito e Transporte Urbano do Recife (CTTU) e devolveu ao tráfego misto o espaço que era reservado aos ônibus. Segundo informações divulgadas pelo Jornal do Commercio, a faixa atendia sete linhas de transporte coletivo e beneficiava cerca de 50 mil passageiros por dia.

A decisão provocou críticas de entidades ligadas ao transporte público. A Urbana-PE, sindicato que representa as empresas operadoras de ônibus, classificou a retirada da Faixa Azul como uma medida “anacrônica” e um “retrocesso”, além de afirmar que não houve comunicação prévia às empresas e aos passageiros.

Para a entidade, a redução dos espaços destinados aos ônibus pode estimular o uso do transporte individual motorizado e ampliar desigualdades no acesso à mobilidade urbana. A Urbana-PE também defendeu que a decisão seja revista.

JUSTIFICATIVA DA CTTU

Em nota divulgada pela Prefeitura do Recife, a CTTU afirmou que a decisão foi tomada após escutas com moradores, transeuntes e condutores, além da realização de estudos técnicos e avaliações operacionais.

De acordo com a autarquia, a implantação do binário formado pelas ruas Jean-Emile Favre e Raimundo Diniz provocou relatos de impactos negativos na dinâmica viária da região. Com a mudança, a Avenida Jean-Emile Favre voltou a operar com duas faixas por sentido destinadas ao tráfego misto, com uma exceção em um trecho próximo à Avenida Recife.

A própria CTTU informou que a Faixa Azul já havia sido reduzida para funcionar somente das 6h às 8h nos dias úteis, período que correspondia a aproximadamente 8% do tempo de operação da via com faixa exclusiva.

Segundo a autarquia, a desativação busca melhorar a distribuição dos fluxos de veículos, facilitar os acessos ao bairro e contribuir para a dinâmica da região, considerando também a circulação dos usuários do transporte coletivo.

OBRA DE R$ 42 MILHÕES

A intervenção viária do Ipsep foi apresentada pela Prefeitura como um projeto de requalificação urbana. O pacote incluiu a implantação do binário, 1,6 quilômetro de Faixa Azul para ônibus, novos abrigos, melhorias nos passeios, drenagem, iluminação e arborização.

Segundo levantamento publicado pelo Jornal do Commercio, o projeto recebeu investimento total de aproximadamente R$ 42 milhões, com recursos financiados pela Caixa/FGTS e contrapartida municipal.

A implantação da Faixa Azul havia sido planejada justamente como uma das soluções de mobilidade do projeto, ao lado de medidas voltadas à circulação de ônibus, veículos particulares e transporte ativo.

COMERCIANTES E PASSAGEIROS TÊM VISÕES DIFERENTES

A retirada da faixa ocorre em meio a reclamações de comerciantes da região, que apontavam impactos negativos provocados pelas mudanças na circulação e pela implantação do binário.

Por outro lado, a retirada também recebeu críticas de representantes do transporte coletivo, que defendem a manutenção de espaços exclusivos para os ônibus.

A decisão, portanto, colocou novamente em discussão um dos principais desafios da mobilidade urbana do Recife: como conciliar o fluxo de veículos particulares, a atividade comercial e a prioridade ao transporte coletivo em uma cidade que enfrenta congestionamentos frequentes.

A Prefeitura sustenta que a alteração foi baseada em avaliações técnicas e manifestações de usuários da região. Já representantes do transporte coletivo defendem que a prioridade aos ônibus deve ser preservada e ampliada.



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